sábado, outubro 08, 2005

nas asas da borboleta

Estavas tão triste, por isso disse-te para deixares a janela aberta, para que a luz do luar te iluminasse, para que as borboletas entrassem. Borboletas de noite?, estranhaste tu. Sim borboletas! As borboletas das asas pretas que chegam à hora mágica dos sonhos. São elas as fadas que te limpam as lágrimas, que te secam a almofada. Com um sopro afastam os pesadelos. Murmuram-te ao ouvido e fazem-te cócegas nos pezinhos. Brincam à tua volta e dançam até amanhecer. São marotas e deixam um rasto de pós de perlimpimpim que te fazem espirrar de manhãzinha... Sabes agora quem são? Sim sei, disseste tu com um sorriso… E foste dormir, mas não sem antes abrires a janela e desejares boa noite às estrelas. Vá, dá-me um beijinho e dorme bem que hoje as borboletas vêem visitar-te!
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Para todos os meninos que vão dormir tristes...
Nós somos as borboletas das asas pretas*

segunda-feira, setembro 26, 2005

whole again

Não quero escrever mais para ti. Já nem sei quem és… não existes, não és real! A partir de agora vou escrever para mim. Eu sei, eu sei… foi o que sempre fiz! Mas hoje é diferente: vou escrever para mim, sem ti. Porque hoje estou sozinha, mas já não faz mal. Sei ser completa assim. Recuso-me a continuar entorpecida, mergulhada em fantasias para tentar esquecer a realidade. Não, não vou ficar agarrada a nostalgias. Quero o presente, não o passado. Quero vida. Hoje eu sou a vida! Não vou continuar a mentir só para que os dias passem mais depressa. Afinal tinha pressa para chegar aonde? Se não construía nada… Hoje tenho a coragem para encontrar a força dentro de mim, para usá-la. Eu sei que posso ser melhor que isto. Desculpa, mas não te quero mais, sejas lá tu quem fores… Vou partir à procura de mim e tenho de ir sozinha, por muito que me custe. Sei que vou cair, mas também me vou saber levantar e quando, finalmente, me encontrar vou poder dizer: “Sou feliz!”
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"These are the days that bring new meaning
I feel the stillness of the sun and I feel fine"
Jamie Cullum - These are the days

terça-feira, setembro 13, 2005

o verbo

Acorda Fala Sente Parte Corre Chora Treme Dança Espreita Suspira Desafia Atrai Avança Ataca Convida Brinca Deseja Brilha Arrasa Beija Sonha Despe Apaixona Vibra Cai Perde Sangra Magoa Sofre Guarda Esconde Recorda Partilha Esquece Muda Acredita Salta Voa Canta Grita Bebe Segue Joga Sorri Surpreende Agarra Descobre Escreve Alegra Aproveita Ousa Adora Contempla Fracassa Apaga Cura Levanta Embala Pensa Resiste Deambula Quebra Mostra Fascina Prende Inspira Procura Protege Imagina Sacrifica Revela Abraça Confessa Ama Alucina Enfeitiça Mergulha

Toca. Ouve. Cheira. Saboreia. Vê.
Vive! Porque, por aqui, também se vive!

domingo, setembro 04, 2005

Quisera eu...

Quisera ter-te aqui, ao pé de mim. A ti, que estás sempre tão longe e tão perto. És vida que corre dentro de mim. És sangue que ferve e me queima. Quisera ter-te aqui porque já não me encontro sem ti. Caminho descalça perante a tua alma. Estou presa a ti e não sei como me soltar.
Aconchegamo-nos na noite naufragada num mar de ruas que dormiam, esquecidas pelo tempo e pelos homens. Perdemo-nos entre palavras e vontades, entre gestos e ansiedades. Voámos em silêncio para não acordar o medo e cedo os meus desejos se tornaram nos teus beijos… Mas estás cada vez mais longe, e a cada passo teu que se afasta, a memória de ti enterra-se um pouco mais em mim. Sinto-me a afundar nesta solidão tão acompanhada…
Quisera ter-te aqui, comigo, só mais um pouco. Pudesse eu guardar o teu abraço e para sempre refugiar-me em teu regaço… mas sei que não posso. Tentei desgarrar os sentidos, mas não tenho forças para soltar as cordas que me atam a ti. Quisera ter-te aqui, ao pé de mim, mas por andar à chuva, molharam-se-me os sonhos…

quarta-feira, agosto 31, 2005

Foolish Games

*
"You took your coat off and stood in the rain
You were always crazy like that
And I watched from my window
Always felt I was outside looking in on you...
You were always the mysterious one
With dark eyes and careless hair
You were fashionably sensitive, but too cool to care
You stood in my doorway, with nothing to say
Besides some comment on the weather
Well in case you failed to notice
In case you failed to see
This is my heart bleeding before you
This is me down on my knees

These foolish games are tearing me apart
And your thoughtless words are breaking my heart
You're breaking my heart

You were always brilliant in the morning
When smoking your cigarettes and talking over coffee
Your philosophies on art, Baroque moved you
You loved Mozart and you'd speak of your loved ones
As I clumsily strummed my guitar
Well excuse me, guess I've mistaken you for somebody else
Somebody who gave a damn
Somebody more like myself

These foolish games are tearing me, you're tearing me, you're tearing me apart...
And your thoughtless words are breaking my heart
You're breaking my heart

You took your coat off and stood in the rain
You were always crazy like that"
Jewel
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Sooner or later we all get tired of the foolish games... when will you?
Obrigada ao Luís Belo por me mostrar as maravilhas do Photoshop ;)

domingo, agosto 21, 2005

Para ti, avó

Hoje agarro-me à memória que tenho de ti. Agarro-me com força porque tenho tanto medo que ela se perca... Hoje, mais do que nunca, quero acreditar que o céu existe. Esse céu que não sei onde fica e em que acho que tu mesma nunca acreditaste. Hoje quero acreditar que é lá que estás - num mundo mágico feito de algodão doce. Nesse mundo tão nosso, onde comemos chocapic nas manhãs de inverno e procuramos conchinhas nas tardes de verão. Hoje não quero chorar, quero que a dor passe e se transforme em esperança. Por isso, quero acreditar que estás num lugar feliz (porque nunca soube se o foste - sei tão pouco de ti, da tua vida). Quero acreditar que me vês, que me sentes, quero que saibas tudo o que não fui capaz de te dizer antes. Sente o quanto gosto de ti. Olha para mim, se puderes, e vê que afinal ainda estás viva neste cantinho do meu coração que é só teu. É por isso que não quero perder as recordações que tenho de ti, de nós. Porque afinal ainda vives dentro de mim. E acredito no céu, porque se lá não estivesses o que seria feito destas lembranças? Que outra razão teriam elas para permanecer comigo senão o facto de as poder, ainda, partilhar contigo?
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Hoje partilho com vocês um texto que escrevi há já algum tempo, quando li o "Fazes-me falta" da Inês Pedrosa, um livro que me trouxe tantas recordações da minha avó Ana... porque não sei em que acredito... talvez só nestas palavras...

quinta-feira, agosto 11, 2005

Merda!

Hoje li o que ela escreveu sobre ti. Vi aquelas palavras como que abandonadas em cima da mesa e não resisti. Desculpa. Sou fraca, tu sabes que sou fraca. Li-as todas, uma a uma, com sofreguidão. A curiosidade apoderou-se de mim e não consegui parar... deixei-as dançar para mim. Sentei-me e fiquei a vê-las qual voyeur. Elas pareciam orgulhosas e exibiam-se à minha frente, esfregavam-me na cara o amor dela... O nós que foste com ela. E eu não sabia, nunca imaginei que ela te amasse tanto! Pensei em ti, se alguma vez leste aquelas palavras como eu... Se elas também dançaram para ti, se as ficaste a ver como eu, ou se dançaste com elas... Pensei em vocês, juntos. Como seria? Não, não quero pensar nisso... Mas é inevitável... Porque não estás com ela, se ela tem tanto para te dar? Ela é tua, ela ainda é tua, tu sabes disso! Como podes não querer estar com ela? Ela tem tudo... Mais que isso, ela tem mistério. Não é o que toda a gente quer, mistério? E eu, eu sou transparente... (Meu Deus, como tenho horror à transparência!) Lembras-te da noite em que nos conhecemos? Bastaram-te cinco minutos e poucas palavras para que me conhecesses... Nessa mesma noite resumiste toda a minha essência numa única palavra. Pior que isso, na palavra perfeita! Arrasaste-me... Ainda hoje penso nessa palavra, constantemente. Eu não tenho mais nada para te dar - em cinco minutos desvendaste todos os meus mistérios, dei-te toda a minha vida. Penso nela e em tudo o que ela tem para te oferecer... Não, não falo do corpo nem de beijos, eu sei que os beijos não te interessam. Os beijos esgotam-se. Falo dos olhos, da alma... O que sentes quando olhas para ela? Ainda sonhas com ela, ainda a desejas? Alguma vez o fizeste? Eu sei. Não devia ter lido aquelas palavras... Sou fraca, tu sabes que sou fraca. E agora não consigo deixar de pensar no nós que foste com ela, no nós que quero que sejas comigo. Mas eu já não tenho nada para te dar e estou desesperada e irremediavelmente perdida nos teus olhos que se misturaram com os meus...